O Universo das incertezas e a motivação humana

O que seria de nós, não fosse o desconhecido e a curiosidade? Não fossem as inúmeras perguntas sem respostas? Não importa quantas respostas conseguimos, encontramos outras para substituir. No geral, quanto mais respostas conseguimos, mais perguntas teremos.

A curiosidade é algo intrínseco ao ser humano que, não raras vezes quando conveniente, tentamos freá-la através da força e da violência. Hoje sabemos que vamos querer respostas, e o que fazemos? Damos as respostas, só que manipuladas, respostas tendenciosas. Hoje não somos punidos por querer saber e sim, por não saber questionar. O que vai além do âmbito político. Um exemplo foi um fato ocorrido há pouco tempo, quando uma australiana afirmou que fazia contatos com extraterrestres e anunciou pela internet que eles apareceriam dia 14 de outubro. Muitos acreditaram e, no tão esperado dia descobriram que não passava de uma jogada de marketing para lançar um álbum musical. Podemos escolher no que vamos acreditar, e o saber escolher é um exercício que devemos praticar. O que acreditamos hoje, o que escolhemos hoje, é o resultado das sucessivas respostas que escolhemos ao longo de nossas vidas. Para mim, o radicalismo limita a nossa análise, o nosso campo de visão para escolher a próxima resposta. Passamos a pensar de forma unilateral, ignorando a possibilidade de analisar e agregar (ainda que não concorde) outros pontos de vista. Gênios já estiveram errados, nós também podemos estar. Vejo o radicalismo como algo que leva sempre ao erro.

Acredito que a existência do desconhecido associada à curiosidade são o combustível humano e até, de forma mais extremista, a nossa motivação em viver. Desconhecido pelo mistério do que não conhecemos e curiosidade no desejo (vontade) de conhecer o desconhecido. Imagine por exemplo, se soubéssemos se nosso amor seria ou não correspondido, o que seríamos quando crescer, os mistérios da ciência, quanto será o jogo do meu time, se vou passar no concurso caso estude, quando iremos morrer....enfim, o futuro. Qual seria a nossa motivação? Não haveria o tentar, apenas faríamos ou não, caso valesse a pena ou não. Mas somos guiados pela curiosidade, é ela que nos dá a motivação de tentar, de estudar, de seguir em frente. Vivemos em um mundo que nos dá motivação em abundância, vivemos em um mundo regido pelo caos, onde reina a incerteza. É o que nos ensina a Teoria do caos, “O bater das asas de uma borboleta, pode causar uma tempestade do outro lado do mundo”. Algo insignificante pode influenciar no curso natural das coisas, a cada escolha sua (de qualquer objeto) é desencadeado uma cadeia de acontecimentos podendo interferir na vida de outrem e vice-versa. Tudo é possibilidade, somos todos interligados. E a ironia, a beleza da coisa, está quando vamos juntando o quebra-cabeça e percebemos que vivemos em um mundo de infinitas incertezas, motivados pela constante procura da certeza.

Da pseudociência ao cinto de segurança.

Imagine como seria interessante se vivêssemos num mundo onde já houveram bruxas de verdade, amaldiçoando aqueles que porventura entraram no seu caminho. Ou até mesmo, aqueles monstros marinhos que estavam à solta no nosso mar prontos para devorar um embarcação exploratória rumo ao desconhecido. Seria até engraçado se alguém hoje assumisse algo assim como fato verídico. Afinal de contas todos sabemos que são lendas antigas, quando nosso povo ainda não tinha conhecimento suficiente para contestar qualquer “evidência” dessas histórias. E é exatamente nisso que uma pseudociência se baseia. Todas as suas evidências são formuladas de um modo a se tornarem invulneráveis a qualquer experimento que ofereça uma perspectiva de resposta, para que pelo menos em princípio não tenha como se refutar. E pior, caso os cientistas sequer discutam ela, ou mesmo procurem argumentos mais coerentes, logo se deduz que existem conspirações, que querem destruir provas...

Acredito que para quem nunca teve um grande contato com ciência, seja muito complicado julgar algo como ciência ou pseudociência. Muitas vezes a diferença é tão absurdamente tênue e às vezes até os cientistas mais esclarecidos são praticante de pseudociências. Eu mesmo não resisto à astrologia.

Pode-se observar que elas seguem quase uma relação evolutiva entre elas. Digo isso porque elas tendem a evoluir juntamente com a ciência, afinal de contas, as que pararam no meio do caminho, que estagnaram em dragões e gigantes, sumiram, exatamente como a evolução dos seres que não conseguiram agüentar a pressão imposta pelo seu meio. Quem não se adapta fica na história.

Acredito que onde mais haja espaço pra essas superstições sejam os lugares onde não se percebe uma vontade governamental de que o povo possa ter uma educação e um livre pensamento. Por exemplo, a China que passou por uma ditadura durante vários anos, as pessoas são adeptas de milhares de crenças, por culpa da falta de informação passada para a população durante todos esses anos.

A gente pensa que a maioria delas normalmente não influencia nossas vidas, ou mesmo que pessoas sérias e instruídas jamais poderiam deixar-se influenciar por elas, mas esse é um grande engano. Você sabia que o pênis dos Tigres de Bengala são utilizados para o tratamento de impotência na Ásia? E não são só os Tigres de Bengala que estão sendo extintos por isso... Rinocerontes e vários outros animais pagam caro pelas pseudociências. Fora que talvez as maiores mentes humanas de alguns séculos atrás também queimaram em fogueiras por culpa de crenças sem base. Consegue enxergar que existem muitos governantes no mundo atual que se baseiam em pseudociências ou pelo menos seguem conselhos de astrólogos? Então a partir disso, podemos figurar o quão grande uma grande imaginação pode fazer com a história do mundo.

Por outro lado, as pessoas não conseguem ver que boa parte da ciência pode sim ser tão incrível ou tão maravilhosa, como as lendas. Se conseguíssemos ver o quão maravilhoso é por exemplo o efeito placebo, ou seja, pessoas que conseguem se curar, através do poder da mente, o poder de acreditar. O efeito placebo é poderoso. Em um estudo realizado na Universidade de Harvard, testou-se sua eficácia em uma ampla gama de distúrbios, incluindo dor, hipertensão arterial e asma. O resultado foi impressionante: cerca de 30 a 40% dos pacientes obtiveram alívio pelo uso de placebo! Mas ainda sim preferimos acreditar que o que nos curou pode ter sido a homeopatia, que tem por base a energia de princípios químicos transmitidos para a água, mesmo que ela não contenha mais qualquer molécula dessa química.

Nesse momento me vêm os casos de Óvnis na cabeça. Nesses últimos meses foi repassado ao mundo inteiro que os Óvnis viriam aqui no dia 14/08/2008 e como já sabemos hoje, dia 15/08/2008, a vida continua e nenhum ser verdinho veio nos visitar. A pessoa que escreveu esse “recado alienígena” aproveitou-se de um meio de propagação de informação em massa pra reunir todas as atenções ao dia 14, e como quem procura acha, no site dela mostra que esse dia foi o escolhido para lançar o seu cd. Que marketing agressivo não acha? Fez todo mundo de bobo. Mas é isso mesmo, as pessoas tendem a acreditar nessas coisas. Eu acreditei e mesmo com todas as probabilidades contra esse caso, eu acreditava mesmo que poderia acontecer. Seria talvez a própria Ufologia uma forma de pseudociência? Afinal de contas, ela não tem provas suficiente relevantes para formar base e além disso ainda envoca a conspiração governamental para esconder as provas.


É mais que provado que o ser humano não usa probabilidade para acreditar, afinal de contas você acredita mais que vai ganhar na loteria ou que vai morrer num acidente de carro? Te garanto que se você for se basear na probabilidade, o melhor conselho é o uso de cinto de segurança.

Você é pseudo o quê?

Muitas vezes desvirtuamos no sentido claro da palavra, começamos por um caminho e em alguma parte dele mudamos a trajetória, e na maioria das vezes que mudamos essa trajetória chegamos aonde não esperávamos ou não queríamos. Vemos todos os dias pessoas fodíssimas fazendo algo pelo prazer e outras por pura ganância ou mesmo por status quo. Não que sejam apenas motivos podres, as vezes são o jeito. Muitas vezes esse caminho outrora foi nobre, e desandou com as experiências da vida. Acontece. Mas é aí que entra o talento.
O talento em algo é uma pré-disposição a algo, que aliada ao prazer pode credenciar a alguém o status de gênio, isso não seria um fato isolado, já aconteceu algumas vezes antes de você e não seria nenhum absurdo acontecer com você...Afinal Einstein um dia não foi gênio, não foi imortal. Tente não se conter com migalhas, você pode ser chegar mais longe, por mais difícil que pareça, o tempo é seu aliado e não seu inimigo, basta usá-lo de forma proveitosa. Mas quem sou eu pra falar isso. Sou mais desperdiçador de tempo que você que me lê agora pode ter certeza. Minha defesa aqui é que nem sempre fazemos o que achamos mais certo, podemos simplesmente sobreviver, caso isso seja mais importante do que pensar. Passei bastante tempo na inércia de gastar meu tempo com outras coisas, tudo sempre foi mais importante que eu sentar e perder (perder?! Ganhar!) tempo comigo mesmo pensando e analisando pontos de vista. Mas acredito que agora será diferente, acho que finalmente amadureci o meu significado perante o mundo.Vou tentar usar a pouca força de vontade que tenho e tentar me esforçar quem sabe assim eu consigo trazer algum orgulho para os seres humanos, e quem sabe um dia chegar a ser imortal, como o Einstein, nunca se sabe!

Ok, vou parar de encher lingüiça.
O que quero dizer nesse texto é que o importante é o conteúdo do que você faz ou quer fazer, passa ou quer passar e não a auto propaganda que às vezes você consegue passar para os outros e até para si mesmo, porém sem qualquer base resistente.

Às vezes a chave para uma boa escrita pode ser não usar as palavras mais restritas e rebuscadas que nem você conhece para tentar dizer algo que acaba por ficar sem sentido.
Claro, assim você vai conseguir ter vários fãs, com certeza, e mtos deles serão apenas fãs do próprio dicionário. O lance é racionalizar uma idéia, torná-la digerível e, além disso, se possível, se expressar claramente. Alguém desconhece aquela história onde um costureiro bastante esperto “criou” uma roupa para o rei que só os inteligentes vêem? Pois é, e o rei andou peladão para todos o verem usando uma roupa imaginária que ele fingiu ver... Naquela ocasião, imagine o quanto o costureiro não deve ter se divertido às custas da ignorância alheia de querer se passar por algo que não é. Agora aplique isso na vida real, exatamente onde nosso exemplo pode se encaixar, e pense, quantas pessoas podem estar rindo de você nesse momento enquanto você acha que é um escritor muito bom. O que penso em relação a mim é que muitos rirão e provavelmente com muita razão, já outros até poderão rir, mas se nem sequer entender a piada.

Ensaio sobre Hierarquias.

Seria o atraso o grande causador do pensamento mágico? Ou talvez seja o pensamento mágico o grande causador do atraso? Talvez seja até o conjunto dos dois, pois afinal de contas isso parece ser inevitável e cansativamente enraizado. Será que o humano como ser, tem essa necessidade para poder prosseguir? Será que isso tudo é (foi) parte fundamental do que chamamos de inteligência social, ou seja, necessário para a formação da sociedade?

Não muito antes de hoje, a sociedade conseguia conceber a idéia de estrelas ao seu redor e até estudá-las, mas sequer conseguia imaginar-se numa sociedade sem escravos, pois a escravidão era tão enraizada em nós que não conseguíamos ver além disso, quase como um limite inalcançável. Sabemos hoje que na grande biblioteca de Alexandria houve muitos livros sobre o universo e o espaço, mas nem um sobre conceitos organizacionais que não escravocratas. Os poderosos da época sentiam que o poder deveria ser exercido pela força, que o povo deve ter medo, que uma pessoa penitente, terá o seu lugar garantido em algo melhor. Mas esses mesmos poderosos descobriram que o controle pelo medo, pelo mágico, se desgasta... E por que não desgastaria? Alianças frágeis têm de ser boas para os dois lados, senão exatamente uma corda cada vez mais tencionada, o lado fraco arrebenta. A biblioteca de Alexandria, a maior reunião de conhecimento do mundo antigo foi destruída pelo povo, atearam fogo e pouca coisa restou dela. E seria o povo o culpado pela tamanha perda de conhecimento? É até uma conclusão óbvia que não. A ciência é só uma ferramenta, e como ferramenta ela não distingue, ou seja, está acima do bem e do mal... Essa responsabilidade fica pra quem a usa. Então pode-se dizer que o poder estava sendo empregado em favor do pensamento mágico, em favor de formar cordeiros, em favor do imutável. Claro que para quem não estava confortável com essa situação, poderia ser um grande pesadelo, pois enfrentar a ira de muitas vezes governantes considerados semideuses, e de suas vontades digamos excêntricas não era fácil de modo algum. No entanto o fator tempo está aí para mostrar que nada é pra sempre e que assim como nasce o medo, a ganha-se força de vontade e a coragem, e nesse caso foi a vontade de mudar. A luta contra a ignorância começou ali ou pelos menos tomou as rédeas pela força, pois ali, nesse pequeno "vandalismo" de um ponto de vista ou de um absurdo vandalismo de valor inestimável por outro ponto. É até meio paradoxal pensar que o ser humano teve que queimar conhecimento, para poder chegar ao topo numa cadeia alimentar q tem por base o próprio conhecimento. Aqueles que hoje pensam e observam, sem ter por necessidade o mágico, ou seja, simplesmente usar a nossa capacidade sem ter que tomar algo inexplicado como força superior têm em seu âmago resquícios daqueles que outrora queimaram a biblioteca e perceberam o quão forte uma vontade pode ser. Mas mesmo assim, durante séculos a escravidão continuou, mas o fator tempo agiu novamente, e aquela civilização que uma vez controlou o Egito virou uma civilização conquistada. Os gregos perderam completamente sua força como um civilização exploratória e acabaram por serem as exploradas, experimentaram o seu próprio veneno.

O ser humanos a muito descobriu, que o grande tesouro não é o ouro. O grande tesouro é conhecimento científico, e isso vale mais que qualquer ouro imaginável, pois ele não faz distinções preconceituosas, ou melhor, distinções humanas, ele é e pronto. Esse conhecimento nos imortaliza de certa forma, através dos livros. Ele é o sonho realizado do ser humano de criar a máquina para viajar ao passado, pois através deles pode-se saber desde como eram os seus costumes até como funcionava sua crença espiritual. E não se fecha apenas para o passado. Percebem como isso é grande? A idéia que você tem de Deus hoje, por exemplo, é completamente diferente da idéia de povos mais antigos e eles acreditavam provavelmente até mais que você naquela organização espiritual. Por isso mesmo que esses governantes poderosos temiam por perder seus poderes caso o conhecimento fosse disseminado. O tempo passou, reis caíram, semideuses voltaram a ser carne e osso (mais osso que carne depois disso), porém o pensamento mágico é bem enraizado. Pode-se dizer que a ciência ficou aprisionada por vários séculos a custo de vida para ambos os lados. Pessoas mataram para mantê-lo, cegas por um pensamento maquiavélico de que os fins justificam o meio e por outro lado pessoas morreram para e por refutá-los. Cientistas, alquimistas e mentes de todas as áreas científicas foram queimadas vivas para podermos chegar ao que chegou. A religião foi uma boa forma de desculpa por tais atos. Essa foi a chamada idade das trevas. Trevas no sentido de escuridão, cegueira. Mas e hoje? Ainda tem espaço para o pensamento mágico? Talvez ele seja necessário, mas eu duvido muito. Acredito que uma forma a menos de hierarquização já seria um passo e tanto.

Sejamos um pouco mais justos com aqueles que se sacrificaram pela humanidade e sequer viram algo mudar, afinal de contas, nunca vi alguma entidade mover montanhas, muito menos a fé nelas. Acredite, tenha fé, mas canalize isso de um meio produtivo. Perpetue sua raça, e isso não quer dizer pela força bruta, ou seja, pela quantidade, nesse quesito já somos campeões, chegou a hora da qualidade. Refine o pensamento e procure enxergar que não foi o João da silva que perpetuou a espécie tendo feito 13 filhos, mas sim pessoas como Isaac Newton, Charles Darwin, Freud ou Sabin. Honre sua herança como espécie. Você nasceu com essa caixa mágica e não pode deixar que outros te digam o que é certo. A ciência assim como a religião também pode ser uma grande mãe e acolhe aqueles que querem as respostas, sem que alguém lhes conte de um modo exagerado e cheio impressões pessoais.
A imagem de que o bonito é pensar magicamente vagarosamente parece que vem ruindo. O romance as poucos parece ter sempre o mesmo gosto e tem bastante gente a fim de mudar isso. Estaremos vivos pra ver os livros de religião na sessão de auto-ajuda? Dificilmente