Seria o atraso o grande causador do pensamento mágico? Ou talvez seja o pensamento mágico o grande causador do atraso? Talvez seja até o conjunto dos dois, pois afinal de contas isso parece ser inevitável e cansativamente enraizado. Será que o humano como ser, tem essa necessidade para poder prosseguir? Será que isso tudo é (foi) parte fundamental do que chamamos de inteligência social, ou seja, necessário para a formação da sociedade?
Não muito antes de hoje, a sociedade conseguia conceber a idéia de estrelas ao seu redor e até estudá-las, mas sequer conseguia imaginar-se numa sociedade sem escravos, pois a escravidão era tão enraizada em nós que não conseguíamos ver além disso, quase como um limite inalcançável. Sabemos hoje que na grande biblioteca de Alexandria houve muitos livros sobre o universo e o espaço, mas nem um sobre conceitos organizacionais que não escravocratas. Os poderosos da época sentiam que o poder deveria ser exercido pela força, que o povo deve ter medo, que uma pessoa penitente, terá o seu lugar garantido em algo melhor. Mas esses mesmos poderosos descobriram que o controle pelo medo, pelo mágico, se desgasta... E por que não desgastaria? Alianças frágeis têm de ser boas para os dois lados, senão exatamente uma corda cada vez mais tencionada, o lado fraco arrebenta. A biblioteca de Alexandria, a maior reunião de conhecimento do mundo antigo foi destruída pelo povo, atearam fogo e pouca coisa restou dela. E seria o povo o culpado pela tamanha perda de conhecimento? É até uma conclusão óbvia que não. A ciência é só uma ferramenta, e como ferramenta ela não distingue, ou seja, está acima do bem e do mal... Essa responsabilidade fica pra quem a usa. Então pode-se dizer que o poder estava sendo empregado em favor do pensamento mágico, em favor de formar cordeiros, em favor do imutável. Claro que para quem não estava confortável com essa situação, poderia ser um grande pesadelo, pois enfrentar a ira de muitas vezes governantes considerados semideuses, e de suas vontades digamos excêntricas não era fácil de modo algum. No entanto o fator tempo está aí para mostrar que nada é pra sempre e que assim como nasce o medo, a ganha-se força de vontade e a coragem, e nesse caso foi a vontade de mudar. A luta contra a ignorância começou ali ou pelos menos tomou as rédeas pela força, pois ali, nesse pequeno "vandalismo" de um ponto de vista ou de um absurdo vandalismo de valor inestimável por outro ponto. É até meio paradoxal pensar que o ser humano teve que queimar conhecimento, para poder chegar ao topo numa cadeia alimentar q tem por base o próprio conhecimento. Aqueles que hoje pensam e observam, sem ter por necessidade o mágico, ou seja, simplesmente usar a nossa capacidade sem ter que tomar algo inexplicado como força superior têm em seu âmago resquícios daqueles que outrora queimaram a biblioteca e perceberam o quão forte uma vontade pode ser. Mas mesmo assim, durante séculos a escravidão continuou, mas o fator tempo agiu novamente, e aquela civilização que uma vez controlou o Egito virou uma civilização conquistada. Os gregos perderam completamente sua força como um civilização exploratória e acabaram por serem as exploradas, experimentaram o seu próprio veneno.
O ser humanos a muito descobriu, que o grande tesouro não é o ouro. O grande tesouro é conhecimento científico, e isso vale mais que qualquer ouro imaginável, pois ele não faz distinções preconceituosas, ou melhor, distinções humanas, ele é e pronto. Esse conhecimento nos imortaliza de certa forma, através dos livros. Ele é o sonho realizado do ser humano de criar a máquina para viajar ao passado, pois através deles pode-se saber desde como eram os seus costumes até como funcionava sua crença espiritual. E não se fecha apenas para o passado. Percebem como isso é grande? A idéia que você tem de Deus hoje, por exemplo, é completamente diferente da idéia de povos mais antigos e eles acreditavam provavelmente até mais que você naquela organização espiritual. Por isso mesmo que esses governantes poderosos temiam por perder seus poderes caso o conhecimento fosse disseminado. O tempo passou, reis caíram, semideuses voltaram a ser carne e osso (mais osso que carne depois disso), porém o pensamento mágico é bem enraizado. Pode-se dizer que a ciência ficou aprisionada por vários séculos a custo de vida para ambos os lados. Pessoas mataram para mantê-lo, cegas por um pensamento maquiavélico de que os fins justificam o meio e por outro lado pessoas morreram para e por refutá-los. Cientistas, alquimistas e mentes de todas as áreas científicas foram queimadas vivas para podermos chegar ao que chegou. A religião foi uma boa forma de desculpa por tais atos. Essa foi a chamada idade das trevas. Trevas no sentido de escuridão, cegueira. Mas e hoje? Ainda tem espaço para o pensamento mágico? Talvez ele seja necessário, mas eu duvido muito. Acredito que uma forma a menos de hierarquização já seria um passo e tanto.

Sejamos um pouco mais justos com aqueles que se sacrificaram pela humanidade e sequer viram algo mudar, afinal de contas, nunca vi alguma entidade mover montanhas, muito menos a fé nelas. Acredite, tenha fé, mas canalize isso de um meio produtivo. Perpetue sua raça, e isso não quer dizer pela força bruta, ou seja, pela quantidade, nesse quesito já somos campeões, chegou a hora da qualidade. Refine o pensamento e procure enxergar que não foi o João da silva que perpetuou a espécie tendo feito 13 filhos, mas sim pessoas como Isaac Newton, Charles Darwin, Freud ou Sabin. Honre sua herança como espécie. Você nasceu com essa caixa mágica e não pode deixar que outros te digam o que é certo. A ciência assim como a religião também pode ser uma grande mãe e acolhe aqueles que querem as respostas, sem que alguém lhes conte de um modo exagerado e cheio impressões pessoais.
A imagem de que o bonito é pensar magicamente vagarosamente parece que vem ruindo. O romance as poucos parece ter sempre o mesmo gosto e tem bastante gente a fim de mudar isso.
Estaremos vivos pra ver os livros de religião na sessão de auto-ajuda? Dificilmente